Um sistema de inteligĂȘncia artificial transforma seu pensamento em texto

Os cientistas desenvolveram um sistema de inteligĂȘncia artificial que pode transformar os pensamentos de uma pessoa em texto, analisando sua atividade cerebral.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em São Francisco, desenvolveram IA para decodificar até 250 palavras em tempo real, de um total de 30 a 50 frases.

O algoritmo foi treinado usando os sinais nervosos de quatro mulheres com eletrodos implantados no cérebro, que jå eram capazes de monitorar convulsÔes.

Os voluntĂĄrios leram repetidamente sentenças em voz alta, enquanto os pesquisadores alimentavam os dados do cĂ©rebro no sistema de inteligĂȘncia artificial da IA ​​para remover padrĂ”es que poderiam ser vinculados a palavras individuais. A taxa mĂ©dia de erro de palavras em um conjunto de repetição foi de 3%.

“Uma dĂ©cada apĂłs a primeira decodificação da fala pelos sinais do cĂ©rebro humano, a precisĂŁo e a velocidade permanecem bem abaixo das da fala fĂ­sica”, disse um artigo detalhando uma pesquisa publicada esta semana na revista Nature Neuroscience.

“Levando em conta os recentes desenvolvimentos na tradução mecĂąnica, treinamos uma rede neural repetitiva para codificar cada sequĂȘncia ao longo da atividade neural em uma representação abstrata e, em seguida, decodificar essa representação, palavra por palavra”, em inglĂȘs.

O vocabulĂĄrio mĂ©dio ativo de um falante de inglĂȘs Ă© estimado em cerca de 20.000 palavras, o que significa que o sistema estĂĄ longe de entender a fala normal.

Os pesquisadores nĂŁo sabem ao certo como isso funcionarĂĄ, pois o decodificador de inteligĂȘncia artificial se baseia em aprender a estrutura de uma frase e usĂĄ-la para melhorar suas previsĂ”es. Isso significa que cada nova palavra aumenta o nĂșmero de frases possĂ­veis, reduzindo assim a precisĂŁo geral.

“Embora desejemos que o decodificador aprenda e explore as regularidades do idioma, ainda resta ver quantos dados seriam necessĂĄrios para expandir para uma forma mais geral de inglĂȘs”, afirmou o jornal.

Uma possibilidade pode ser combinada com outras tecnologias de interconexão cérebro-computador que usam diferentes tipos de implantes e algoritmos.

No ano passado, um relatório da Royal Society descobriu que as conexÔes neurais entre o cérebro humano e os computadores permitiriam que as pessoas leiam a mente.

O relatĂłrio citou tecnologias desenvolvidas pela startup Neuralink, de Elon Musk, e pelo Facebook, que descrevem a telepatia por ciborgues como “a prĂłxima grande onda na orientação humana”.

A Royal Society estima que essas interfaces serĂŁo uma “escolha padrĂŁo” para o tratamento de doenças como a doença de Alzheimer dentro de duas dĂ©cadas.

“As pessoas podem se tornar telepĂĄticas em certa medida, capazes de falar nĂŁo apenas sem falar, mas sem palavras”, disse o relatĂłrio, estendendo-se a aplicaçÔes mais futuristas, como a capacidade de provar e cheirar, sem nenhum senso fĂ­sico de experiĂȘncia.