Twitter no México é uma questão de vida ou morte

J√° foram feitas alega√ß√Ķes de ass√©dio √† ordem p√ļblica por tweets de usu√°rios. Ao mesmo tempo, por√©m, as redes sociais ajudam na sobreviv√™ncia di√°ria.

Antes da pol√≠cia ou dos jornalistas chegarem √† passagem subterr√Ęnea nos arredores de Veracruz, onde pistoleiros deixaram 35 mortos – e de fato na hora do rush – na estrada, o Twitter j√° estava “fervilhando” com informa√ß√Ķes valiosas.

“Evite a Plaza Las Americas”, escreveram muitos, acrescentando que “existem homens armados e eles n√£o s√£o soldados nem marinheiros, eles t√™m o rosto coberto”.

Tais testemunhos são comuns no México, especialmente até o ano passado<…>

e especialmente em cidades violentas onde os grupos da m√≠dia “se comprometeram” com corrup√ß√£o ou assassinato. No entanto, vale ressaltar que no dia dos eventos em Veracruz, as autoridades criminalizaram o uso do Twitter e de outras redes sociais para perturbar a ordem p√ļblica.

Esta √© a primeira lei desse tipo no M√©xico, mas todas as indica√ß√Ķes s√£o de que n√£o ser√° a √ļltima. Em outro estado, Tabasco, uma medida semelhante est√° sendo considerada e, em todo o estado mexicano, as autoridades est√£o reclamando das novas tecnologias e da dissemina√ß√£o de rumores que as tornam mais f√°ceis. Duas pessoas em Veracruz foram acusadas no m√™s passado de terrorismo e sabotagem por postar mensagens no Twitter e espalhar um falso boato de que houve um ataque √†s escolas; seguiu-se p√Ęnico com os pais inundando as ruas, correndo para ver o que havia acontecido.

No entanto, de acordo com acad√™micos e muitos mexicanos, a m√≠dia social se tornou uma necessidade no M√©xico, “adquirindo” uma miss√£o diferente daquela que emergiu nos levantes da “Primavera √Ārabe” ou na China. Nessas redes sociais, eram usadas para unir grupos que estavam espalhados por grandes √°reas, enquanto no M√©xico s√£o usados ‚Äč‚Äčcom base na sobreviv√™ncia em n√≠vel local.

“N√£o se trata de derrubar o sistema pol√≠tico”, disse Nicholas Goodbody, professor de estudos culturais no Williams College. “Provavelmente s√£o pessoas que tentam sobreviver todos os dias.”

Seja como for, a explos√£o das redes eletr√īnicas √© o resultado das tend√™ncias que criam e destroem as comunidades. O M√©xico hoje √© altamente on-line e muito perigoso. Cerca de 40.000 pessoas j√° foram mortas na guerra √†s drogas nos √ļltimos cinco anos, √† medida que a classe m√©dia cresce, entra em p√Ęnico e entra em rede.

Os telefones m√≥veis est√£o em ascens√£o, com mais de 4 milh√Ķes de usu√°rios no Twitter. Existem mais de 30 milh√Ķes de usu√°rios online, 95% dos quais t√™m perfis no Facebook.

“A m√≠dia social preenche a lacuna deixada pela imprensa”, diz Andr√©s Monroy-Hern√°ndez, candidato a doutorado no MIT Lab.

Fonte: portal.kathimerini.gr