Líderes do Vale do Silício na Europa estão nervosos com as novas regras

Mark Zuckerberg, do Facebook, e Sundar Pichai, do Google, viajaram do Vale do Silício a Bruxelas enquanto a União Européia elabora um regulamento sobre inteligência artificial e economia digital.

Apareceu pela primeira vez Sundar Pichai, CEO da empresa-mãe do Google, Alphabet. Em seguida, apareceu o vice-presidente sênior de inteligência artificial da Apple, John Giannandrea.

E na segunda-feira, Mark Zuckerberg, executivo-chefe do Facebook, também aparecerá em Bruxelas para se encontrar com figuras como Margrethe Vestager, vice-presidente executivo da Comissão Europeia.

A principal raz√£o pela qual muitos executivos do Vale do Sil√≠cio est√£o visitando Bruxelas √© que os legisladores da Uni√£o Europ√©ia est√£o discutindo uma nova pol√≠tica digital que inclui regras de primeira classe sobre como a intelig√™ncia artificial pode ser usada pelas empresas. Isso tem implica√ß√Ķes significativas para muitos setores – mas especialmente para empresas de tecnologia como Google, Facebook e Apple, que apostaram muito em intelig√™ncia artificial.

Vale do Silício

“Embora a intelig√™ncia artificial prometa enormes benef√≠cios para a Europa e o mundo, existem preocupa√ß√Ķes reais sobre as poss√≠veis consequ√™ncias negativas”, disse Pichai em discurso no m√™s passado, quando visitou Bruxelas. Ele disse que a regulamenta√ß√£o da intelig√™ncia artificial √© necess√°ria para garantir a supervis√£o humana adequada, mas acrescentou que “deve haver um equil√≠brio” para garantir que as regras n√£o sufoquem a inova√ß√£o.

Os executivos do Vale do Sil√≠cio est√£o agindo enquanto a Europa estabelece estruturas pol√≠ticas mais r√≠gidas para a regulamenta√ß√£o da tecnologia. Nos √ļltimos anos, a Uni√£o Europeia aprovou leis sobre privacidade digital e penalizou o Google e outros por legisla√ß√£o antimonop√≥lio, que inspirou a√ß√Ķes mais duras em outras partes do mundo. √Č prov√°vel que a nova pol√≠tica de intelig√™ncia artificial seja um modelo a ser adotado por outras pessoas.

A inteligência artificial Рonde as máquinas são treinadas para aprender a executar tarefas por conta própria Рé considerada por tecnólogos, líderes empresariais e funcionários do governo uma das tecnologias mais transformadoras do mundo. No entanto, apresenta novos riscos à privacidade e meios de subsistência Рincluindo a possibilidade de a tecnologia substituir as pessoas em seus empregos.

Um primeiro rascunho da pol√≠tica de intelig√™ncia artificial, coordenado pela Sra. Vestager, ser√° lan√ßado na quarta-feira, juntamente com recomenda√ß√Ķes mais amplas que descrevem a estrat√©gia digital para os pr√≥ximos anos. O debate sobre pol√≠ticas, incluindo como a ind√ļstria tecnol√≥gica europeia se expandir√°, deve durar at√© 2020.

Espera-se que a proposta de inteligência artificial descreva os usos mais perigosos da tecnologia Рcomo assistência médica e transporte, como carros com comportamento autodestrutivo Рe como eles serão submetidos a um exame mais rigoroso do governo.

Em uma entrevista, Vestager disse que a intelig√™ncia artificial √© uma das tecnologias mais promissoras do mundo, mas apresenta muitos riscos porque requer a confian√ßa de algoritmos complexos para tomar decis√Ķes com grandes quantidades de dados. Ele disse que deve haver prote√ß√£o √† privacidade, regras que impe√ßam a discrimina√ß√£o de tecnologia e exige que as empresas que usam os sistemas possam explicar como elas funcionam.

Ele expressou preocupação particular com a expansão do uso da tecnologia de reconhecimento facial. Vestager disse que estava ansiosa pela visita de Zuckerberg. Embora estivesse curioso para ouvir suas idéias sobre inteligência artificial e política digital, ele disse que a Europa não podia esperar.

“Faremos o poss√≠vel para evitar conseq√ľ√™ncias n√£o intencionais”, afirmou. “Mas, obviamente, haver√° consequ√™ncias.”

Vestager disse que sua pol√≠tica incluiria um aumento no financiamento de pesquisas, mas tamb√©m uma estrutura para salvaguardar √°reas onde a intelig√™ncia artificial poderia causar o maior dano. Ele disse que n√£o estava preocupado com o modo como a intelig√™ncia artificial estava sendo usada para nos apresentar uma m√ļsica no Spotify ou um filme na Netflix, mas focado em algoritmos que poderiam determinar quem poderia emprestar ou quais doen√ßas foram diagnosticadas.

Durante a visita de Pichai a Bruxelas no m√™s passado, ele foi questionado sobre quais deveriam ser as regras da intelig√™ncia artificial na regi√£o. Ele alertou que haveria conseq√ľ√™ncias econ√īmicas a longo prazo se a Europa “fizesse demais”.

“A capacidade da ind√ļstria europ√©ia de adotar e adaptar a intelig√™ncia artificial √†s suas necessidades ser√° fundamental para o futuro do continente”, afirmou. “√Č importante ter isso em mente.”