Crise na Internet: nossa Internet acabou

Estamos ficando sem internet? A pergunta pode parecer estranha, mas pesquisadores que se encontraram na Royal Society em Londres nesta semana discutiram exatamente isso: o “espinho” da Internet, sua capacidade e o que eles podem fazer a respeito.

A reuniĂŁo provocou vĂĄrias manchetes alertando sobre uma Internet “cheia” e a possĂ­vel necessidade de usar uma folha de dados, mas a realidade Ă© mais complexa.Internet por cabo de fibra Ăłptica

A crise é real, causada pelo råpido crescimento do consumo de mídia eletrÎnica por meio do Netflix e do YouTube, mas também pela física e engenharia que podem nos ajudar a salvå-la. A internet precisa apenas de alguns ajustes.

O medo da falta de capacidade decorre de uma dura verdade natural – hĂĄ um limite para a quantidade de informaçÔes que podem caber em qualquer canal de comunicação, cabo de fibra Ăłptica ou cabo de cobre. Foi descoberto em 1940 por Claude Shannon, e esse limite depende da largura de banda do canal (o nĂșmero de frequĂȘncias que ele pode transmitir) e a proporção do sinal para o ruĂ­do (SNR).

Engarrafamentos digitais

A capacidade de informação da fibra óptica pode ser expandida aumentando o poder da luz emitida por eles. Esse processo aprimora o sinal de codificação, facilitando a leitura da outra extremidade.

Pesquisadores passaram décadas encontrando maneiras de amplificar sinais, aumentar a capacidade de fibra jå existente no solo para acompanhar o crescimento da Internet.

Mas esse truque chegou a um beco sem saída. A energia pode atingir apenas um certo ponto, até que a fibra esteja saturada e o sinal seja degradado. Isso significa que as fibras que usamos hoje estão se aproximando de todo o seu potencial.

René-Jean Essiambre, da empresa francesa de comunicaçÔes Alcatel-Lucent, apresentou um estudo que sugere que o limite de capacidade da Internet é de cerca de 100 terabits por segundo, 250 discos Blu-ray. Os sistemas de fibra óptica da Internet podem atingir esse limite nos próximos cinco anos, alertou.

Fibra Ăłtica

Mas antes de fechar sua conta do YouTube, vamos mencionar que David Richardson, da Universidade de Southampton, Reino Unido, estĂĄ pesquisando novas fibras que contĂȘm mĂșltiplos nĂșcleos para transmissĂŁo de dados na Internet.

A construção dessas fibras Ăłpticas Ă© mais difĂ­cil do que as existentes, porque os nĂșcleos sĂŁo muito pequenos e devem manter sua forma ao longo de todo o comprimento do cabo. No entanto, eles parecem fornecer a capacidade de transferir volumes maiores de dados.

TĂ©cnicas como essas serĂŁo a chave para combater a crise de capacidade, mas se os pesquisadores nĂŁo puderem atualizar e comercializar suas soluçÔes, o boletim ou outras restriçÔes ao uso da Internet podem ser a Ășnica opção.

“NĂŁo vejo crise na internet”, disse Andrew Lord, pesquisador da BT no Reino Unido. “Tenho muita fĂ© na engenhosidade do povo”, disse ele Ă  New Scientist.