Android e aplicativos de graça, a coleta de dados pessoais está fora de controle

Os aplicativos Android coletam e compartilham dados pessoais sem que percebamos. E praticamente todos o fazem, como mostra um estudo recente realizado na Universidade de Oxford pelo prof. Nigel Shadbolt e sua equipe. E a maior pesquisa já realizada sobre o tema, pois leva em consideração cerca de um milhão de aplicativos gratuitos na Play Store.

Constata-se que os aplicativos instalados em nosso smartphone, quase todos, coletam informa√ß√Ķes como a localiza√ß√£o, o tempo que gastamos com o aplicativo, o que compramos, √†s vezes o nome e muito mais. E n√£o √© apenas o aplicativo que coleta dados, mas, mais importante, sistemas rastreadores de terceiros. Um dos pontos levantados pelos pesquisadores √© que, quando autorizamos um aplicativo, por exemplo, a usar o local, tamb√©m estamos autorizando um rastreador que quase certamente ignoramos.

Os rastreadores s√£o gerenciados por um n√ļmero relativamente pequeno de empresas especializadas, que por sua vez se referem a uma quantidade ainda menor de gigantes digitais. Pesquisas mostram que existe um sistema de caixas chinesas, com empresas propriet√°rias de outras empresas, e os dados que sempre terminam nos mesmos locais (e nas mesmas m√£os). Ent√£o descobrimos que Alfabeto (propriet√°rio do Google), Facebook e Twitter est√£o no p√≥dio da coleta de dados do Android. Atr√°s deles Verizon, Microsoft e Amazon.

Pode haver mais de um rastreador em cada aplicativo, e pesquisas mostram que aqueles que t√™m como alvo crian√ßas s√£o os que t√™m mais. Surge tamb√©m que rastreamento vai para diferentes pa√≠ses do mundoe, √†s vezes, o mesmo aplicativo envia informa√ß√Ķes para mais de um destinat√°rio. O que √© bastante normal, esses s√£o servi√ßos que geralmente s√£o comprados e vendidos.

Coleta de dados de aplicativos para Android

De acordo com o Google esta pesquisa √© pelo menos parcialmente desinforma√ß√£oporque “altera o significado de fun√ß√Ķes comuns, como relat√≥rios de falhas ou an√°lises, e como os aplicativos compartilham dados para fornecer esses servi√ßos”, disse um porta-voz da empresa. O que provavelmente √© verdade, mas o fato √© que, para a grande maioria das pessoas, √© simplesmente imposs√≠vel ter controle sobre seus dados ao usar um smartphone e aplicativos.

Por outro lado a impossibilidade de controle é precisamente o objetivo desses sistemas. A coleta de dados faz parte do marketing on-line: em um mundo em que os segundos de atenção são monetizados, o vencedor é o jogo que consegue vender algo sem desperdiçar uma grande quantidade de publicidade desnecessária. E se eles realmente nos oferecessem a capacidade de bloquear dados, muitos trariam, quebrando o sistema de uma vez por todas. Melhor tornar isso impossível, pelo bem dos negócios.

E ent√£o, como j√° foi dito muitas vezes, se voc√™ n√£o est√° pagando pelo produto, √© voc√™. O sentido desse lema √© que, usando servi√ßos gratuitos, fornecemos dados, que s√£o processados ‚Äč‚Äče vendidos. Em princ√≠pio, ningu√©m √© perfilado de maneira pessoal e un√≠voca (mas seria tecnicamente poss√≠vel); o fato √© que o retrato digital do consumidor se torna um produto para vender e comprar.

√Č uma viola√ß√£o escandalosa? Ou um pre√ßo aceit√°vel por ter muitas coisas bonitas sem pag√°-las em dinheiro real?